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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A ÉTICA DAS PROPAGANDAS DE BEBIDA ALCOÓLICA

A publicidade de bebida alcoólica é sem dúvida uma das que mais tem contribuído com a evolução, o crescimento e a implementação de novos efeitos visuais na propaganda brasileira devido aos grandes investimentos dos anunciantes e da guerra entre as marcas.

Porém, todo esse entusiasmo e a luta pela preferência do consumidor acabam esbarrando, muitas vezes, no CONAR – Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, órgão responsável por ditar normas na publicidade e fiscalizá-la. De uns tempos para cá, guerras judiciais tornaram-se comuns para retirar do ar uma propaganda ou outra, isto porque, a lei impõe penas leves e que “valem à pena” serem quebradas para atrair o consumidor. Vale tudo para abocanhar uma parte a mais do mercado.

Segundo o próprio CONAR, sobre responsabilidade, nenhum anúncio deve favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminação racial, social, política, religiosa ou de nacionalidade. Pode parecer absurdo a necessidade de uma cláusula que proíba uma empresa de ser preconceituosa, porém, mesmo com esta cláusula ainda existem aqueles que a desrespeitam, como foi o caso da propaganda da Caninha 51, que ofendia a moral de um povo.

O comercial da cachaça referia-se ao fato do brasileiro poder apreciar em reais o que o mundo paga em dólares, enquanto mostra alguns escoceses de kilt confraternizando-se num pub e enfatiza que no Brasil não se corre o risco de ver um homem vestindo saia, ironizando a cultura local.

A propaganda da Caninha 51 ainda feria outro código que proíbe o incentivo do consumo de bebidas destiladas, podendo a empresa apenas divulgar sua marca. Mesmo com duas infrações graves ao CONAR, a campanha da Caninha 51 foi veiculada sem maiores problemas. Hoje, não se vê mais comerciais da empresa nos veículos de massa.

Outro caso que tornou-se clássico do desrespeito ao CONAR foi a utilização do sósia do cantor Zeca Pagodinho pela Nova Skin assim que foi declarada a guerra entre a empresa e a Brahma. Na seção sobre testemunhais, o CONAR proíbe a utilização de sósias sem o consentimento da pessoa imitada e também a indução a confusão. Mesmo assim, a Nova Skin utilizou o sósia, sem a aprovação do cantor, que se fazia passar por Zeca Pagodinho, ainda que de uma forma sutil. Na época, a cobertura e a atenção dada à guerra foi tão grande que a propaganda não demorou a ser retirada do ar.

Ainda segundo o CONAR, os anúncios de bebidas alcoólicas não conterão cena, ilustração, áudio ou vídeo que apresente ou sugira a ingestão do produto. Você consegue se lembrar de algum comercial de cerveja que obedeça essa cláusula?

Você pode ajudar o CONAR a fiscalizar e diminuir a infração desses códigos que desrespeitam o consumidor e denigrem a imagem da publicidade. Ao sentir-se ofendido por um comercial, denuncie-o. Aliar os interesses do anunciante a uma publicidade criativa e às leis impostas pelo Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária é a melhor saída para uma publicidade eficaz e que não agrida o consumidor.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

REALIZAÇÃO PESSOAL X BEM COMUM

Antes de traçarmos um paralelo entre a realização pessoal e o bem comum é preciso saber o que é ética, e segundo o dicionário, ética é o estudo da conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto. Ou seja, são as normas e princípios que regem nossas atitudes.

Desde pequenos somos ensinados que não se pode ter tudo o que se quer, mas que somos capazes de lutar para alcançarmos nossos objetivos. A ética entra justamente no momento em que escolhemos o caminho que vamos trilhar.

É claro que todo homem quer ser bem sucedido e ter uma vida feliz, tendo realização profissional e pessoal, porém, a felicidade de uns significa a tristeza de outros e vai de cada ser humano ter a consciência das ações que tomou para alcançar tal felicidade.

A realização pessoal deve caminhar lado a lado com o bem comum da humanidade, vide que só vale a pena ser feliz se tivermos a consciência limpa e se pudermos dormir tranquilamente à noite. Em outras palavras, os seus atos devem levar em consideração o que a humanidade considera melhor para o convívio em sociedade, mesmo que isto vá de encontro ao que se deseja.

Isto não quer dizer que devemos sucumbir à todas as regras impostas pela sociedade, porém, há de se tomar cuidado com os próprios atos. Como indagou Nietzsche, ao realizar um determinado ato, você está tão certo daquilo que está fazendo a ponto de aconselhar que toda a humanidade faça igual? Se lhe resta ao menos um pingo de dúvida é melhor não fazê-lo.

Na prática, ser ético em todos os momentos pode não ser tão fácil quanto a teoria sugere, já que o ser humano não é perfeito e, portanto, passível de erro, mas o importante é ter consciência de que se viveu a maior parte da vida de forma ética e que a indicaria para ser vivida a qualquer outra pessoa, enfim, como já diz o velho e sábio ditado, não faça com o outro o que não gostaria que fizessem com você.